Director: Cónego Dr. Manuel Joaquim Gaeda Pinto

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Site-Sexta-Feira,03 de Setembro de 2010

No adro...

—Ora seja louvado e adorado Nosso Senhor Jesus Cristo! —Para sempre seja louvado, no Céu e na Terra, e.Sua Mãe Maria Santíssima!


—Ó compadre, cá me tem para acabarmos a conversa do outro dia!
—Ah! Já me lembro! Tinha-te dito que havia incrédulos por ignorância, por respeito humano e por vaidade, não era isso?!
—Exactamente!
—Pois há também incrédulos por parvoice. Algumas pessoas, ao que se vê pouco inteligentes, deixam-se levar, como carneiros, por qualquer paroleiro que, com meia dúzia de palavras bombásticas, os acorrenta ao seu parecer. Como não entendem, dizem amen a tudo, principalmente se esses paroleiros falam ou escrevem num estilo arrogante, blasfemo, valentão ou audacioso. Parece incrível, mas é verdade: para certa espécie de pessoas, quanto mais abstrusa é a conversa parece que mais lhes dá no goto.
—Talvez seja por isso que tantos patetas nossos conhecidos se dizem ateus!
—Ai, não tenhas dúvidas! Mas, ainda assim, a maioria dos incrédulos é-o por paixão. Não acreditam ou dizem que não acreditam, não porque o sintam mas porque desejariam que fosse verdade o que afirmam. Arrastados por qualquer paixão que os escraviza, que os obstina, eles começam por amoldar as suas ideias aos seus actos e daí o dizerem-se incrédulos.
—Talvez tenha razão, compadre! Alguns que eu conheço...
—Nota que já Santo Agostinho, parafraseando a Escritura, disse que a incredualidade nasce mais do coração do que da inteligência. Como sabes, as paixões humanas podem reduzir-se a três: a soberba, a luxúria e a avareza. E são também estas as três fontes de incredulidade. Há incrédulos que se julgam mais espertos e ilustrados do que os crentes e têm estes por espíritos tacanhos, inimigos do progresso. Vangloriam-se de não terem superstições, de não temerem o inferno, de não se ajoelharem nem confessarem os seus pecados. Coitados! Afinal são eles os dignos de lástima, porque se tornam, assim, muito difíceis de converter!
—Porquê?!
—Porque Deus resiste aos soberbos! Mas, se estes são em grande número, muitos mais são aqueles que se dizem incrédulos por libertinagem. Dominados pela sensualidade, incapazes de resistirem às suas tendências e hábitos pecaminosos, querem justificá-los com a falta de fé. É por isso que o célebre La Bruyère dizia: “Tinha muita vontade de ver um homem sábio, moderado, casto, caritativo. que dissesse que não há Deus, mas esse homem não se encontra em parte alguma!”
—E os avarentos?
—Há tambem incrédulos por avareza. Para ganharem dinheiro, reterem ganhos ilícitos, para não serem inquietados nas suas fortunas mal adquiridas, para subirem, para arranjarem empregos e fazerem fortuna na política, não se importam de se fingir incrédulos. Mas incrédulos por convicção, vai-te com esta: dum milhão deles talvez não tires um!
— Pois com essa me vou: compadre! Acho que tem carradas de razão!

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Terça-Feira,07 de Fevereiro de 2012

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Edição n.º 4149

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