O homem era rico e, embora jovem, já estava na idade das escolhas importantes para a sua vida. Um dia, tomado de uma espécie de loucura, deixou tudo e despojou-se de tudo.
Nada, não precisava de nada. Punha, assim, um ponto final na sua vida à grande. Foi há muito tempo. De-repente, tomava à letra a palavra de Cristo, atirando para o lixo os bens da terra. Francisco, o louco de Assis, metia o Evangelho no coração da sua vida. O caminho que lhe apontava a Boa Nova tornava-se para ele e para os companheiros um caminho de verdadeira liberdade, de liberdade interior. O Evangelho deste dia convida-nos a esta liberdade. Tornar-se discípulo de Jesus exige uma escolha livre e radical que não deixa alternativa. Encontro regularmente jovens que põem a si próprios a questão de comprometerem as suas vidas ao serviço do Reino, como padres, religiosos, religiosas. É para mim uma graça ser testemunha do apelo de Deus e da obra do Espíriuto, neste tempo e neste mundo. Alguns andam a soletrar esta questão e a esboçar um projecto de vida. Outros estão já comprometidos num discernimento e num acompanhamento espiritual. Outros são ainda sminaristas, postulantes, noviços. Escolher Cristo é responder a um apelo que se faz sentir com uma força e uma violência que não deixam alternativa. Há sempre urgência em responder ao apelo de Cristo. O Evangelho convida-nos, com força, a fazer escolhas tão radicais como a de Francisco de Assis e de tantos outros. Para seguirmos a Cristo e tornarmo-nos, pouco a pouco, naquilo a que somos chamados.