Multidões juntam-se aos discípulos. Jesus a todos interpela e, com toda a força, recorda o radicalismo a que é convidado quem quiser segui-l?O. Jesus vai a caminho de Jerusalém e a sua determinação é absoluta. Multidões caminham com os discípulos e deixaram-se tocar pelo ensino de Jesus.
“Vem e segue-me”, dissera Jesus a cada um dos seus discípulos. Literalmente, Jesus dissera-lhes mesmo: “Vem comigo, põe os pés onde eu ponho os meus... os teus passos serão guiados pelos meus passos... serei a tua única referência... por onde eu passei tu passarrás... onde eu vou tu irás também”. Uma vez que Jesus sabe o que O espera, no termo da Sua caminhada, quer lembrar-lhes as exigências do seguimento. Seguir Jesus é, antes de mais, comprometer-se a deixar tudo. Tudo, tal como Abraão abandonou o país dos seus pais, para responder ao apelo de Deus, tal como o esposo ou a esposa deixam pai e mãe para se unirem em nova família e abrirem-se a um futuro comum, o discípulo deve igualmente deixar tudo o que pode retê-lo no passado. Jesus emprega as fórmulas retóricas dos rabinos, a oposição das palavras: amar, odiar. Jesus não ignora os “mandamentos” que pedem a cada um que honre pai e mãe, mas quer fazer compreender que ninguém pode segui-l’O com ligeireza. A hora é grave. Jesus bem o sabe e quer fazer pensar nisso: uma vez mais, utiliza parábolas. A primeira fala-nos de defesa, a segunda, de exércitos. Estas imagens não são anódinas. O que Jesus pede é uma escolha. S. Bento retomará este convite na sua Regra quando pede aos seus monges que não prefiram nada ao amor de Cristo. Curiosa linguagem, exigência forte. Amar a Cristo, preferir Cristo é preferir o Amor. É o Amor que nos torna livres.