Beijei enternecida as suas mãos carinhosas que afagavam as plantas e modelavam almas... Largos dias o portento daquela exuberante primavera me sorriu docemente e deslumbrou quantos olhos se pousaram nele. Mas a existência das rosas tem a duração de um sorriso. Um dia, compreendi que a hora fatal tinha soado. Desdobrava-se mais e mais... Amparei-a solícita. De um lado o retrato de minha mãe, do outro, os braços mutilados de uma cópia da Vénus de Milo, sustinham nas últimas horas a rosa moribunda. Foi rápida a agonia. As pétalas nevadas, tremiam no limiar da vida, como um sonho esplêndido que num instante se desfaz. E fatal a lei implacável do destino. A mais estonteante beleza, o maior esplendor, a suprema culminação do belo, como a extrema fealdade, rastreiam e rolam, no mesmo coval sombrio. Continuia...