Incrédulo, metia o bico nas pétalas aveludadas, para se certificar, não fosse cilada da sua amiga, colocando ali uma rosa de papel; sorvia embriagado as lágrimas da aurora depositadas no cálice imaculado, e extático saltava para o arbusto murmurando: —É verdade, é verdade! floresceu por encanto... e ficou-se a meditar no mistério da criação, no grande problema da vida, nos fenómenos da natureza... Numa rescendente manhã, de sol, perfumada de mil cativantes olores, na plenitude de uma fulgurante beleza, o primeiro botão, da roseirinha nova, orvalhado, palpitante de seiva, foi colhido. Triunfalmente, espreitando o melro em ar de desafio, a mão vacilante de emoção, minha mão cortou-o... O rododendro, estremeceu comovido, vertendo sobre a minha adorada jardineira, o pranto suavíssimo que a madrugada lhe deixara. E foi nessa manhã festiva, dos lindos dias da Beira, nos olhos a bailar-lhe a alegria de vencer, que satisfeitíssima mo ofereceu.