Director: Cónego Dr. Manuel Joaquim Gaeda Pinto

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Site-Quinta-Feira,15 de Julho de 2010

Na Rua...

— Ora seja louvado e adorado Nosso Senhor Jesus Cristo! — Para sempre seja louvado no Céu e na Terra e Sua Mãe Maria Santíssima!


— Então para onde vais com essa pressa toda?!
— Vou trabalhar, compadre!
— Trabalhar hoje, que é Domingo?!
— E então ao Domingo não se come?
— Come, mas não se deve trabalhar!
— Pelos vistos, é melhor talvez ir para a taberna!...
— Não! Nem uma coisa, nem outra. Tu sabes que o corpo da gente não é de ferro. Ao cabo de certo tempo de trabalho esgota-se. É preciso, pois, o descanso do Domingo para remoçar as forças.
— E quem me manda a mim descansar!
— A Igreja. Aí tens um dos grandes benefícios da Igreja, entre outros, a favor dos que trabalham. Foi ela que, instituindo o descanso obrigatório ao Domingo, tão necessário para a alma como para o corpo, compreendeu e defendeu melhor que ninguém os interesses do povo.
— Mas quem é pobre precisa de trabalhar sempre, compadre!
— Trabalhar aos Domingos como nos outros dias é, no dizer de todos os médicos sensatos, arruinar a saúde, abreviar a existência e tornar-se incapaz, a partir dos cinquenta anos, de manejar qualquer instrumento de trabalho.
— Mas as leis modernas também ordenam o descanso dominical.
—Ordenam mas essas leis as mais das vezes não se cumprem ou então sofismam-se por todas as formas e feitios, quando não há o verdadeiro respeito pela lei de Deus. Tu bem vês que desde que numas partes descansem a um dia e outras desacam a outro ou que na mesma localidade uns trabalhem enquanto outros descansam torna-se muito difícil a fiscalização das leis civis do descanso. Desde que não haja consciência, não há lei respeitável.
Além disso, sem o descanso dominical para todos é impossível conseguir aquela união no lar doméstico e mesmo no convívio social que é o supremo encanto dos Domingos. Ainda há dias eu li num livro de Emillo Keller estas sensatas palavras: «Um dia de liberdade por semana, que sorte para os que trabalham? No meio as suas vidas agitadas, eles terão doravante um dia para erguerem a cabeça para o céu, para pensarem em Deus e na vida futura, para verem à vontade a mulher e os filhos, para esclarecerem o seu espírito, para se reunirem aos seus camaradas e discutirem com eles os seus interesses comuns. Já vês que se o descanso não for, salvo raras excepções, ao Domingo para todos, nada disso poderá fazer-se.
— Tem o compadre muita razão!
— Imagina tu uma família em que três membros têm profissões diferentes: um empregado público, outro, caixeiro, outra, modista. Enquanto o empregado público descansa ao Domingo, o caixeiro está na loja e a modista passa o dia agarrada à máquina de coser.
— É verdade! Mas podia escolher-se outro dia!
— Para quê, se a enormíssima maioria já descansa ao Domingo?! Para que há-de estar a escolher-se outro dia, que é dificílimo de encontrar, se o Domingo já tem por ele pelo menos força do hábito e da tradição?
— Bem, lá disso sempre me eu lembro. O Domingo foi sempre o dia em que a gente vestia o fato, de ver a Deus. Luxos, se os havia, não eram, como os de agora, para tentar as pessoas.
— Olha, compadre, esta já vai longa e, já que falaste de luxos, pode ser que a gente ainda continue esta conversa.

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Terça-Feira,07 de Fevereiro de 2012

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Edição n.º 4149

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