— Ora seja louvado e adorado Nosso Senhor Jesus Cristo!
— Para sempre seja louvado no céu e na terra e Sua Mãe Maria Santíssima!
— Então compadre, o meu afilhado já fez as provas finais? — Lá anda ele agora agarrado aos livros, porque as passagens estão mesmo à porta! — E o compadre já pensou no que vai fazer o moço, quando a escola terminar? — Já. Ele viu no “Amigo da Verdade” que era altura de se requererem as admissões ao Seminário. Como há muito tempo que ele andava com aquela tineta de ir para o seminário, lá irá fazer o estágio. — Mas então essa tineta de ir para padre ainda não lhe passou?! Eu logo vi: sempre a pegar nas galhetas da missa, sempre atrás do senhor prior para aqui e para ali, logo vi que íamos ter ali padre pela certa! — O rapaz ainda não é padre, lá porque vai fazer um estágio no Seminário. Mas, tendo ele vontade de ser padre, não era eu que lhe ia tirar essa ideia. Pelo contrário, fico até muito contente em lhe ver tal inclinação. — Mas, assim tão pequeno, ele sabe lá o que quer?! — Não saberá, não! Mas terá tempo de o conhecer melhor, à medida que for avançando nos anos e nos estudos, se tiver a sorte de passar e ser admitido. — Mas eu oiço tanta coisa, compadre! Ainda um dia destes, estava um senhor padre novato a dizer que os rapazes só deviam entrar no Seminário quando já estivessem maduros e soubessem bem o que queriam. Que ele também para ali tinha ido em pequeno e que o Seminário o tinha “alienado”... E dizia mais coisas que eu nem percebia... — É uma opinião! Ele lá sabe se, como e quando se “alienou” ou não! Eu cá na minha, (e também tenho direito de ter opinião), julgo que não há nada como levarem-se as coisas logo de princípio. É verdade que Nosso Senhor chama quem quer e quando quer. Saulo foi chamado ao apostolado quando ia a caminho de Damasco, em perseguição dos cristãos; mas Samuel ouviu a voz do Senhor quando frequentava a escola do Templo. Os que dão os “ossos”, dão alguma coisa, mas sempre pensei que era mais nobre dar “as primícias”, se o gosto de dar é disponibilidade que se põe ao serviço de Deus. Ele aceita ou não a entrega feita. Conhecer essa aceitação é fruto de muito estudo, de muita oração, de muita abertura de alma ao director de consciência. — Mas dizia o tal senhor padre que a vida do Seminário fazia viver rapazes fora das realidades do mundo de hoje! — E ainda bem, quando “realidades” significam “contaminação”, imbuimente de espírito mundano” totalmente contrário ao espírito de Cristo! — Dizia ele também que os rapazes vinham de lá com os olhos fechados e sofriam um abalo terrível quando se misturavam com o mundo! — A orientação dos Seminários é, certamente, problema que nos deve preocupar a todos mas os Seminários recebem orientação directamente da Santa Sé e há uma congregação encarregada especialmente de estudar a adaptação da vida dos Seminários às exigências do nosso, tempo. Eu não creio que os padres saiam hoje do Seminário com os olhos fechados. Pelo contrário acho que os trazem bem abertos: tão abertos que alguns até vêem o que não existe! — Quer o compadre dizer que não se importa que o afilhado comece já a estudar para padre! — Não só não me importo, como até gosto! Se Nosso Senhor não lhe der essa vocação, terá tempo e ajudas para o conhecer. Se for vontade de Nosso Senhor que ele seja padre, terá auxílios que o ajudem a manter-se fiel e estará menos exposto aos maus contágios. — Quer dizer que o compadre ainda acredita na fábula do cabaz das maçãs... — Isso mesmo! Sou pouco entendido em teorias, mas dessa prática tenho eu experiência!