Como viver? Eis a grande ?pergunta que fazemos, seguida de duas outras: como viver sempre? E como salvar a vida?
Em todo o Evangelho, Jesus previne-nos contra um sonho, o sonho dos fariseus: procurar cada um safar-se, com protecções, seguranças ou mesmo pela simples fidelidade em cumprir os madamentos de Deus. Trata-se de uma ilusão querer o homem proteger-se com aquilo que tem.
Para Jesus é essa a grande ilusão! O homem não pode salvar a sua vida. A partir desta experiência, Jesus convida-nos a “renunciarmos a nós próprios” e a levarmos a nossa cruz. E dirige esta proposta não apenas aos Seus discípulos mas a todo o homem: “Se alguém quiser seguir.me, tome a sua cruz todos os dias... Se alguém quiser salva a vida, perdê-la-á; mas quem perder a vida por amor de mim salvá-la-á”. Podemos ouvir, em eco a esta Palavra, esta outra de Jesus: “Vinde a mim, vós todos que sofreis e andais sobrecarregados. Sim, o meu jugo é ,suave e a minha carba é leve”. Para nos fazer viver sempre, Jesus convida-nos a segui-l’O, a fazer uma experiência, a renunciarmos à nossa vida para a recebermos de Deus como um dom. Cristo levou a Cruz, antes de nós, pelo caminho em que perdeu a vida. Um ladrão dissera-lhe: “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo”! Ele não se salva a Si mesmo: deixa-Se salvar, oferecendo assim uma esperança a cada homem que sofre. Tomar a cruz é caminhar nos passos de Cristo que tudo espera do Pai, é reconhecer-se no ferido de jericó que espera tudo. Deus é o Salvador da nossa vida! A cruz torna-se o báculo que significa a minha pobreza no caminho do Evangelho, no caminho em que aprendo a esperar a salvação de Deus. Tomar a cruz é esperar pela minha vida e pela de todo o homem. Propondo-nos o caminho da cruz, Cristo não condena as alegrias da vida, mas atrai-nos por uma caminho que nada nem ninguém poderão arrebatar-nos, nem mesmo a morte: o caminho do Céu onde entraremos não uns atrás dos outros, mas todos juntos, solidários, seguindo a Cristo.