Em vez de nos determos no Evangelho da multiplicação dos pães, tantas vezes comentado, talvez valha a pena meditar sobre alguns aspectos do mistério da Eucaristia, tendo em conta o laço estabelecido pela Igreja entre a Santíssima Trindade e o Sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo, dada a proximidade da celebração.
Da Trindade à Eucaristia e da Eucaristia à Trindade há uma relação essencial, porque assim como a Trindade é o Amor, e só o Amor, a Eucaristia é a manifestação e o enraizamento desse amor no coração das nossas vidas. Amor plenamente revelado no dom que Jesus fez da Sua vida: “Senhor Jesus Cristo que neste admirável sacramento nos deixastes um memorial da vossa paixão”... Este dom não pertence apenas ao passado, como nos sugerem a oração sobre as ofertas e a antífona da comunhão. A primeira reafirma que a celebração da Eucaristia edifica a Igreja na unidade e na paz; a segunda lembra-nos que receber este alimento de imortalidade que é o sacramento do Corpo e do Sangue de Cristo permite-nos morar n’Ele como Ele em nós. Sem esquecer que este dom nos projecta também no futuro, pois a Eucaristia, como nos afirma a oração da pós-comunhão, é “um ante-gosto do gozo eterno da divindade” ou, dito de outra forma, da plena participação na vida de Deus.