Director: Cónego Dr. Manuel Joaquim Gaeda Pinto

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Site-Segunda-Feira,31 de Maio de 2010

Na rua...

?Ora seja louvado e adorado Nosso Senbor Jesus Cristo. ?Para sempre seja louvado, no Céu e na Terra, e Sua Mãe, Maria Santíssima!

—Então donde vem a estas horas, compadre!
—Olha: fui até à minha vinhazita, a ver se escapa por lá algum cacho. Este ano, tanto o míldio como a farinha iam vindimando tudo.
—Afinal tanto faz enxofrar como não, e é trabalho e dinheiro que se poupa!
—Ah! Lá isso não, compadre! Se a gente não trata das coisas, não pode esperar nada. Deus disse: trabalha, que eu te ajudarei.
—Pois sim, mas olhe que, pensando bem, se houvesse menos vinho não se perdia nada. Talvez que o número de bêbedos diminuisse.
—Qual história?! O vinho é bom! A culpa é de quem abusa. E quem abusa, mesmo que haja pouco vinho, nunca deixa de baber. Se não houver vinho de parreira, fazem-no a martelo!...
— Pois sim! Se Noé não se tivesse lembrado de fabricar o vinho, olhe que se tinham evitado muitos pecados!...
—Compadre, a Humanidade inventa sempre maneiras de pecar deste ou daquele modo! Lembra-te que o vinho representa, no fundo, a Eucaristia! Tu sabes quantas vezes se fala do vinho na Sagrada Escritura?!
—Eu não!
—Pois olha que anda por umas trezentas, ou mais! E quase sempre o vinho tem um carácter de coisa sagrada. Melquisedec, sacerdote do Altíssimo, faz a sua oferenda de vinho em honra de Deus. (Gen. XIV,8). O vinho é a hóstia pacífica oferecida em acção de graças pelo nascimento de um filho, como fez Ana, Mãe de Samuel. (Num. XV, Reis, XXIV).
Isaac, abençoando a Jacob, pede a Deus que Ihe dê trigo e vinho em abundância. (Gen. XVIII, 28 e XXVII, 28). Jacob, falando de Judá, diz que Cristo há-de prender o seu burrinho (o povo judeu) à videira (a Igreja). E, traçando o retrato de Cristo Senhor Nosso, diz que os seus olhos são mais belos do que o vinho e que Ele há-de lavar as suas vestes no vinho, e o Seu manto no Sangue das uvas. Já tu vês que o vinho é uma espécie de coisa sagrada e que eu faço bem em tratar dele! O que é pena é que tantos o bebam em excesso, matando-se e matando os seus semelhanles com o escândalo.
—Isso é verdade!
—O vinho, como sinal de alegria pura e verdadeira é até uma coisa abençoada por Nosso Senhor. Tu não te lembras como Nosso Senhor fez o milagre do vinho, nas bodas de Caná, só para que todos os convivas se sentissem mais alegres!
—Está bem, compadre! Mas olhe que antigamente era bem melhor: não tinha a gente que andar sempre a enxofrar e a sulfatar!...
—Mas sabes tu porque é isso e qual a razão por que as searas produzem hoje tão pouco?!
—Isso não, e gostava de saber!
—Pois então ouve a palavra de Deus pela boca do profeta Oseias: Israel esqueceu-se de que era Eu que Ihe dava o pão e o vinho: por isso mudarei de procedimento para com ele. Tirar-lhe-ei o meu pão e o meu vinho e farei cessar a alegria do meu povo! Pensa bem nisto, compadre, e terás compreendido a razão de muita coisa!
—É verdade, compadre: Nosso Senhor bem nos avisa; a gente é que não quer pensar...

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Terça-Feira,07 de Fevereiro de 2012

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Edição n.º 4149

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