Neste Domingo, Lucas conta-nos uma história espantosa. Temos um fariseu, de quem não sabemos ainda o nome, que convida Jesus a comer com ele. Jesus entra e toma lugar à mesa. Nada saberíamos do acolhimento dado a Jesus por este homem, se uma mulher, uma pecadora, como diz Lucas, não tivesse entrado naquela casa.
A mulher prostra-se diante de Jesus, inunda-lhe os pés de lágrimas e unge-lhos com uma perfume precioso. É então que Jesus nos revela o nome do seu hóspedeiro: Simão. Jesus interpela-o: “Tenho uma coisa para te dizer...” Jesus soube ler no coração de Simão, viu o juízo terrível que ele formulava sobre aquela mulher e até sobre o próprio Jesus. Então, conta-lhe uma pequena história, a história de um credor que convoca dois devedores insolventes e que perdoa a cada um a sua dívida: a um, quinhentas moedas, a outro cinquenta. Jesus questiona, por sua vez, Simão: “Qual destes dois o amará mais”? Conhecemos a sequência... Jesus não teria feito qualquer reparo sobre o acolhimento de Simão, se este não tivesse posto um olhar tão duro sobre as duas pessoas que se encontravam diante dele: aquela mulher e o próprio Jesus. A leitura atenta desta página do Evangelho fala-nos claramente sobre a gratuitidade do perdão de Jesus, Se não reflectíssemos um pouco, talvez víssemos, algo apressadamente, um laço entre o amor desta mulher e o perdão de Jesus... Não são as lágrimas nem a preciosidade do perfume a causa do perdão, mas são a sua consequência e um sinal. Porque eram completamente insolventes, porque eram incapazes de reembolsar, fosse o que fosse, é que os devedores foram desquitados da dívida. Foi porque ela era completamente pobre de tudo, porque estava totalmente esvaziada de si própria, que teve fé em Jesus e Este lhe deu o Seu perdão. Então Jesus disse à mulher: “A tua fé te salvou. Vai em paz”!